Por Angélica Santos Ramacciotti com agências internacionais
Maio de 68 completa 40 anos
Um dos maiores acontecimentos do século XX, Maio de 68 completa seus 40
anos. O movimento libertário iniciado na França também foi protagonizado no
Brasil, em Cuba, no Chile, em Los Angeles, no Congo e na Tchecoslováquia,
provocando mudanças nas relações entre raças, sexos e gerações. No decorrer
das décadas, as manifestações ajudaram o Ocidente a fundar idéias como as
das liberdades civis democráticas, dos direitos e da igualdade entre homens
e mulheres, brancos e negros e heterossexuais e homossexuais.
A história sem fim
Quarenta anos depois das barricadas de Paris, das manifestações contra a
Guerra do Vietnam, da Passeata dos Cem Mil e do AI-5, o escritor e
jornalista Zuenir Ventura lança '1968 - O que fizemos de nós' (Ed. Planeta
do Brasil). A obra chega às livrarias em uma caixa de presente juntamente
com a reedição de '1968 - O ano que não terminou', lançado há 20 anos.
Segundo Zuenir, trata-se de uma resposta aos que tentam matar maio de 68. O
livro conta com depoimentos inéditos de Caetano Veloso, Fernando Henrique
Cardoso, José Dirceu, Fernando Gabeira, Franklin Martins, entre outros.
Celebrações de Cannes
Maio de 68 também foi celebrado na 61ª Edição do Festival de Cannes (14 a 25
de maio de 2008) ao relembrar o grupo formado por Louis Malle, François
Truffaut, Roman Polanski, Jean-luc Godard, Claude Berri e Jean-Gabriel
Albicocco que exigiu a interrupção da projeção em solidariedade aos
operários e estudantes em greve. Conhecido como o mais prestigiado festival
de cinema do mundo, o Festival de Cannes recebe centenas de jornalistas,
cineastas, distribuidores e artistas que lotam a cidade localizada na Côte
D'Azur, sul da França. As exibições da mostra competitiva ocorrem no teatro
Lumière, localizado na famosa avenida Croisette. O Primeiro Festival data de
1946.
Metáfora da cegueira
A abertura da 61ª Edição do Festival de Cannes foi marcada pela exibição de
"Blindness", do diretor brasileiro Fernando Meirelles. O filme (adaptação de
Ensaio sobre a cegueira, do escritor português José Saramago) apresenta a
história de uma cidade onde ocorre uma estranha epidemia de cegueira. Os
primeiros doentes, personagens sem nome e quase sem história pessoal (como
no romance de Saramago) são isolados por medo e contágio e devem viver por
sua própria conta em uma sociedade de cegos em que apenas uma mulher
consegue ver (Julianne Moore), a esposa do oftalmologista (Mark Ruffalo).