07.06

Trança D'Água

Trança D'Água

Trança d'água 
poemas  - Regina Alonso   
ilustração - Renato Di Renzo
Edção Coletivo Imaginário

lançamento 7 junho 2019   sexta   17h30min
local - Aliança Francesa de Santos 
Rua Rio Grande do Norte 98  Pompéia
tel 3237-2403

Trança d'água é a liquidez da vida que escorre no tempo inexorável. O poeta escreve o que sente, o que se inscreve na pele e atinge a entranha. O mar é tema recorrente em minha obra: Perdida de mim/para me encontrar deixo de ser rio,/vou de encontro ao mar.

Os poemas deste livro devolvem às águas os fios da minha história, que se inicia quando o avô paterno, que não conheci, deixa de herança aos filhos, o amor pelo mar. Meu pai faz do mar o ofício e enreda o irmão... Na Vila Nova, meus avós maternos acolhem os dois marujos no Restaurante da Porta Larga, onde meu pai conhece Isabel,a futura esposa. Meu tio se casa com moça do interior. As esposas aprendem a preparar o peixe... a esperar a hora incerta da chegada e partida de seus homens cheirando à maresia.  

Das águas do útero nasci e voltei à liquidez. Conheci o mar  encarapitada na lancha do pai... Quando o mar se faz distante/fico sem horizonte/pai sem rumo/barco sem porto/pão sem sardinha

Maria José Goldsmith diz no prefácio, "Regina Alonso nesta obra mergulha como nunca nas profundezas abissais, embora muitas vezes poetize em águas menos profundas onde ainda estão os peixes-alimento, os barcos, os pés na terra, a casa, a família e os ancestrais. Assim o faz sabedora que os poemas são líquidos e tudo é poema, sejam feitos com guelras, asas ou pés no chão. 

Esta obra possui a liquidez salgada dos pescadores, dos sonhadores, das almas que pingam chuva no mar. Regina abre suas guelras, tal pai e mãe e voa. Não precisa de asas. Quando o poema brota sem esforço e o tempo já não diz as horas, as palavras de outrem são poucas e têm vontade de ficar em silêncio".

Um dia, apenas seremos sopro./Invisíveis estaremos em todos lugares/e em nenhum. /Desfeitos, sal na liquidez das águas,/ navegaremos 
    
Renato Di Renzo deixa-se prender na liquidez da trança e navega... revisita a casa, a rua, o atracadouro, o barco, os folguedos, a solidão do homem que parte e da mulher que fica. Di Renzo faz a arte da capa e as ilustrações internas, um pós-naif, que se amálgama a cada poema. Com sensibilidade percebemos, somos água em qualquer maré.

Dedos enrugados prendem borboletas nas pontas das tranças. 
Volto ao mar, num assombro de asas e voos.

O mar me navega.

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