23.10
O francês, uma chave para ver o mundo
Encontro na Aliança Francesa de Santos reúne fotografia, arqueologia, história da arte e a trajetória da fotojornalista e arqueóloga Kenia de Aguiar Ribeiro Aprender uma língua pode mudar mais do que a forma de se comunicar. Pode abrir portas para novos conhecimentos, culturas e até para uma nova trajetória de vida. Foi o que aconteceu com a fotojornalista e arqueóloga Kenia de Aguiar Ribeiro. O francês foi a chave que lhe permitiu estudar História da Arte e Arqueologia em Paris, aproximar-se de instituições e coleções científicas e ampliar seu olhar sobre diferentes culturas e formas de relação com o patrimônio.
Kenia deixou o Brasil em 2014, aos 43 anos, para estudar na França. Lá, o francês deixou de ser apenas uma língua estrangeira: tornou-se uma ferramenta de acesso ao conhecimento e uma ponte para uma nova maneira de olhar o mundo.
Esse novo olhar veio somar-se a um projeto que Kenia já desenvolvia havia uma década. O projeto Arqueologia do Sagrado nasceu em 2004, durante uma viagem à Irlanda para conhecer e fotografar o monumento pré-histórico de Newgrange. Desde então, passou a reunir imagens de lugares marcados pela relação entre diferentes povos e o sagrado. Ao longo de mais de vinte anos, a câmera de Kenia percorreu lugares como os templos e sítios arqueológicos do Egito, o santuário de Delfos, Machu Picchu, os moai de Rapa Nui e as paisagens de Glastonbury, entre outros locais da Europa, América Latina, África e Oriente Médio. O projeto articula fotografia, arqueologia, patrimônio, história e reflexão sobre a experiência humana diante desses lugares.
O percurso resultou no livro Arqueologia do Sagrado: Crônicas Fotográficas, que reúne 54 fotografias distribuídas em nove capítulos. A obra propõe simultaneamente uma viagem exterior - por desertos, montanhas, ilhas, cidades antigas, ruínas, santuários e monumentos - e uma viagem interior, marcada pela reflexão sobre a experiência humana.
A presença do francês no projeto editorial é, para Kenia, consequência natural dessa trajetória. “Eu quis que o francês estivesse presente no livro porque ele faz parte da história do projeto. Foi através dessa língua que eu entrei em contato com uma formação que transformou a minha maneira de olhar para a arqueologia, para a história da arte e, consequentemente, para a fotografia. O livro também é resultado desse percurso”, explica.
O encontro na Aliança Francesa de Santos, no dia 23 de outubro, pretende refletir sobre como o aprendizado de uma língua pode ampliar o campo de visão de uma pessoa. No caso de Kenia, o francês não foi apenas uma nova forma de falar, mas uma chave de acesso a outros conhecimentos, outros lugares e outras formas de olhar. Uma chave que, girada pela primeira vez em Paris, continuou a abrir portas pelo mundo.
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